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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
29.10.06

Rua Montenegro

Elas moíam a carne na máquina manual, à manivela, que prendiam no mármore da bancada da cozinha. Entravam grandes cubos de carne vermelha, toda limpa, sem nervos, e saía aquela massa uniforme, moldada pelos furos do moedor. Depois de catadas as fibras restantes, a carne voltava pra máquina, muitas vezes, com cebolas em cubos, que iam ficando quase líquidas quando moídas, e depois vinha a pimenta síria, a canela, o coentro em grão moído, o pimentão vermelho, a água gelada, o burgol que não se deve deixar de molho pra não amolecer demais. E as mãos para misturar tudo. Pra servir, a cebola em gomos, as folhas graúdas de hortelã e o azeite pra bem regar o quibe cru.

A salada - fatuche - salpicada com pão árabe torrado na medida pra desmanchar em contato com o suco de limão, o azeite, os tomates frescos, o cheiro verde e o pepino crocante. O segredo era cortar as pontas do pepino e esfregá-las no corte, pra tirar o amargo, o leite ruim. A casca ficava, pra fazer a digestão.

Couve-flor com taratô, kbebat, ataife, esfihas abertas e queijo com misky. Relógio de carrilhão, cinzeiro de cristal rosa da bohemia e copos de naipes de baralho. Babahanush, houmus, azeite, azeite, azeite. Azeitonas pretas, carnudas, gordas. Coalhada seca, zahtar, pão papel em dias de festa, chancliche. E mais azeite.

As folhas de uva envolvendo arroz e carne moída com pimenta síria, a capa de filé no fundo da panela, um pouco de massa de tomate, tempo, paciência. Cheiro doce de família e canela e o Arak do vovô, que enchia a sala com o anis volátil, prontamente turvo ao contato com a água, mágica para as crianças. Pistache, amendoim, terços de âmbar na mesa, bandejas enormes de latão dourado, café no bule árabe, que se deixava pousar antes de servir, sem coar. Tapetes, tapetes e mais tapetes. Unhas vermelhas, música e coisas douradas. E azeite.

A mesa posta na sala de jantar para os adultos e na sala de almoço para as crianças, com toalhas de plástico.

No quintal de cimento, os tamancos de madeira, o tanque cantando, o varal cheio, as empregadas e o fumo de rolo no cachimbo na hora do descanso, no quarto ao fundo do quintal, em cima da escada torta e caiada. O pente de ferro em brasa pra esticar os cabelos com hené, as imagens do sagrado coração de Jesus, a nossa senhora aparecida na micro-televisão com luz negra, a foto retocada em azul-turquesa, do longínquo casamento dos pais na Paraíba. Os uniformes xadrezinhos, o rádio sempre ligado, o pano na cabeça, ave-maria às seis da tarde, a missa de domingo.

No terraço, fiel testemunha da minha história, o piano que agora mora aqui comigo, no Leblon, e me acompanha nesta saga saborosa, perfumada e cheia de amor que é a minha vida. Música: a única síntese possível.


alho, iogurte, hortelã e pepino, inspiração familiar

6:05 PM Comments:

25.10.06

Nunca fomos tão felizes ou Depois você reclama do cinema brasileiro da atualidade.

Vejam em que títulos apetitosos o ator e diretor Carlos Imperial trabalhou. Selecionei os que me causaram mais espécie, mas se você quer fazer uma pesquisa, hmmm, digamos assim, mais profunda, vai . *

Ator
1985 - Os Bons Tempos Voltaram: Vamos Gozar Outra Vez
1977 - Mau Passo
1977 - O Tarado
1976 - A Ilha Das Cangaceiras Virgens
1976 - Meninas Querem... E Os Coroas Podem
1976 - O Sexo Das Bonecas
1975 - O Palavrão
1974 - O Pica-Pau Amarelo
1974 - Banana Mecânica
1973 - As Depravadas
1972 - A Viúva Virgem
1972 - Cassy Jones, O Magnífico Sedutor
1971 - Os Amores De Um Cafona
1969 - O Rei Da Pilantragem
1961 - Mulheres, Cheguei
1960 - Vai Que É Mole
1959 - Garota Enxuta
1958 - Agüenta O Rojão
1958 - Minha Sogra É Da Polícia
1958 - Sherlock De Araque
1958 - E O Bicho Não Deu

Diretor
1981 - Um Marciano em Minha Cama
1979 - Loucuras, o Bumbum de Ouro
1976 - O Sexomaníaco


esse era um verdadeiro gentleman

*quero deixar bem claro que pensei primeiro no Osvaldo Loureiro, mas aí o Pedro achou isso e a gente quase morreu de rir

4:39 AM Comments:

23.10.06

Axé, Baco!

Quando a gente acha que viu tudo, abre uma revista chamada Ana Magazine, feita na Bahia, e acha isso:



By appointment to:



Realmente, pensa bem, vinho e micareta têm tudo a ver. Você lá, pulando, suando de pingar, aquele empurra-empurra, pipocando, beijando móóóóito e tomando um vinhozinho...


8:48 PM Comments:

21.10.06

O céu agora está assim


Alvorada de Van Gogh, que beleza!



5:56 AM Comments:

20.10.06

Jeitinho carioca

Cenário: Supermercado mega no Leblon, bairro classe média alta do Rio.

Cena um:
Um cara entra com o filho pequeno dentro do carrinho. O cara bem apessoado, menor cara de mendigo. Passou pela seção de bolos de fabricação da casa, abriu um de milho, começou a comer, deu pro filho. Passou pelo cafezinho de graça e pegou um café. Ficou alí, café e bolinho, café e bolinho. Eu sou super observadora, reparei que ele largou o carrinho e morrendo de rir, foi embora com o filho, sem passar pelo caixa, sem pagar nada. Menor cara de mendigo, de pobre, de ladrão. Tava a fim de lanchar um bolo com café, foi lá, pegou e tchau.

Cena dois:
Dois senhores bem vestidos entram no supermercado ao meu lado. Passo por eles e reparo que eles vão até o caixa, pegam um bolo de sacolas, muitas, talvez todas e vão embora. Precisa de sacolas? Vá ao supermercado e pegue, e pronto.

Se isso não é roubo é o quê?

Cindy Chinn


6:10 PM Comments:

14.10.06

Jantar pra uma

Sexta é meu dia de casa, já que trabalho sempre no sábado à tarde e preciso estar linda e maravilhosa. Fui pra cozinha inventar moda. Super vegetariana e quente, a comida merecia ter tido mais público, mas who gives a fuck?, não posso reclamar de platéia nesta vida... Hoje a platéia a ser agradada era a mais difícil: eu!

Primeiro escolhi, lavei e cortei os legumes: nabos, cenouras, cebolas, couve flor e vagem chicote. Cozinhei todos em água e sal, numa panela daquelas que têm redinha pra você tirar os legumes e deixar a água do cozimento fervendo, pra ir cozinhando os outros, cada um a seu tempo. Cozinhei um de cada vez, bem ao dente, e quando tudo estava cozido e separado, coloquei uns 5 dentões de alho com casca e tudo no caldo, só pra assustar os bichinhos. A casca sai facinho e ele fica meio transparente, levemente cozido.

Peguei uma boa colherada de massala em pasta, da marca anglo-hindu Patak¿s, e misturei com um copo de iogurte natural. Aqueci uma panelona e mandei um pouco de óleo, gengibre fresco ralado, coentro em grão, pimenta do reino moída na hora, uma pimenta dedo de moça fresca picadinha e sem sementes, duas massalas em pó, noz moscada ralada na hora, uma folha de louro, curcumã fresca ralada na hora, curry indiano mega-apimentado em pó e amassei tudo em fogo alto, com o amassador de feijão. A cozinha tem que ficar muito perfumada. Joguei uma cebola em cubos grandes e assim que amaciou, eu coloquei os legumes, o alho cozido fatiadinho, a mistura da massala com iogurte e um pouco do caldo de legumes, que ficou reduzindo na panela pra fazer um consomezinho de algas wakame, com um nadinha de missô e uma pitada de hondashi, caldo de peixe. Essa foi a entradinha líquida, quentinha, delícia.

Os legumes cozinharam mais um nadinha nesse molho e eu acrescentei um copo de leite de coco e deixei reduzir um pouco. Retifiquei o sal (ai, que pimenta perfeita e queeeeeeente).

Fiz um arroz basmati no chá de jasmim, com pouco sal, e ficou dos deuses! Esse arroz tem que lavar muito bem! Eu usei muito líquido e escorri qdo pronto, deixando um pano limpo entre a panela e a tampa pra tirar o excesso de humidade. Ficou perfeito, soltinho, um aroma alucinante! Acho que o chá ajudou a ressaltar aquele docinho do arroz, que equilibra bem com as pimentas do curry de legumes.

Peguei cogumelões portobello, aqueles marrons, lavei, tirei os talos e numa frigideira aqueci azeite e uma micro bolinha de manteiga e coloquei cebola bem picada e alho em lascas. Fogo muito baixo pra não queimar nada, quando tudo estava alourado deitei os cogumelos inteiros só com um corte em cruz na chapeleta (ops) e depois de uns 5 minutos virei, panela tampada, mais cinco minutos, ou dez. Uma concha do caldo de legumes ajudou a deglaçar a frigideira e ficou um molho escurinho e muito perfumado. Pimenta do reino moída na hora pra finalizar. Bem básico, faltou só um cheirinho verde pra finalizar. Temos sabores demais no curry.

No copo, vinho tindo de mesa Terras D¿Aleu, terras durienses, região do Douro, bem bom pro meu paladar não educado, mas sempre delicado.

Sobremesa?
Bill Evans e Toots Thielemans com incenso de rosas.


E mais não digo, porque nada mais há pra falar. Amanhã agradecerei por ter sido tão gentil comigo mesma.

1:57 AM Comments:

9.10.06

What the bleep do we know?

Tá bem tá bem, eu sei que eu to um pouco atrasada, que o filme é de 2004 e que todo mundo já deve ter falado tudo o que há pra falar sobre o filme. Mas eu estou com-ple-ta-men-te chapada com o pseudo-documentário que em português deram o nome criativo de Quem somos nós?. Física quântica e as fronteiras da espiritualidade. Cientistas crentes e descrentes discorrem sobre o infinito mundo das possibilidades. Se você não viu, veja. Claro que eu comecei a ler mil coisas sobre o filme na net e já vi gente dizendo que mudou de vida depois do filme e gente falando mal, duvidando de tudo. Como sempre.

O filme apresenta, entre outros caras maneiríssimos, o impressionante Ramtha, guerreiro sábio ascencionado, que baixa (ou canaliza, como eles preferem) numa loura chamada JZ Knight, que a esta altura administra uma escola de iluminação nos EUA. O papo do cara é uma loucura, já descobri mil e uma sobre ele na net. Mãããe, também quero iluminar!


Mandatório, mesmo que seja pra falar mal...





7:57 PM Comments:

6.10.06

Acertei no que não vi

Fui procurar um cara, achei este aqui, que já respondeu meu email de congratulations pelo trabalho amaaaazing e foi hiper gentil. Estou encantada com a atmosfera do trabalho dele. Ilustrador, desenhista, fez um bilhão de capas de livros e de coisas lindas; só indo no site pra conhecer. A minha próxima tattoo, quem sabe, vai ser dele?


Tom Kidd


6:01 AM Comments:

2.10.06

Não fechamos porque não abrimos


Em Portugal, né? Com todo o respeito, claro!


7:49 PM Comments:

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